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Estou desempregada e agora?



A vida financeira não é a única que se desestabiliza durante o período de desemprego, na verdade nossa vida emocional também fica desestruturada, em virtude de todas as perdas, frustrações e consecutivos “nãos” que recebemos no processo de recolocação profissional. Além disto, muitas pessoas conectam seus objetivos, propósitos e senso de identidade ao trabalho, o que torna a demissão um momento ainda mais traumático.

Segundo a teoria da privação latente, preconizada pela psicóloga Marie Haroda e outros profissionais, quando uma pessoa perde o emprego, as categorias vitais para o bem-estar e a boa saúde mental são afetadas. Pesquisas revelam que 44% das pessoas desempregadas há mais de 6 meses afirmam que o desemprego produziu mudanças significativas em sua vida, 43% perderam o contato com os amigos e 38% dizem que o seu auto respeito diminuiu. O professor Rald Kafmann da New York University, explica que a perda do trabalho acarreta consequências psicológicas e comportamentais que costumam acontecer em 4 estágios, definidos com base em estudos com desempregados. São eles:

  1. Estágio 1 | Antecipação: Esta é a fase em que o profissional sofre pela ansiedade experimentada com a expectativa da demissão, que resulta em uma mistura de choque e alivio após a conclusão do desligamento. Neste estágio o colaborador está otimista e acredita em sua rápida recolocação profissional;

  2. Estágio 2 | Esforço Concentrado: Ocorre durante os primeiros três meses após a perca do emprego, nesta fase o profissional é capaz de manter a energia e motivação, mas está em risco eminente de ter o seu estado emocional afetado pelo aumento do stress;

  3. Estágio 3 | Desmotivação: Ocorre a partir do quinto mês de desemprego e dura de 1 a 2 meses, é o momento de intensificação do desanimo e abalo da autoconfiança que resulta em dificuldade na busca de recolocação, podendo surgir até mesmo conflito com amigos e parentes;

  4. Estágio 4 | Resignação: A demora em encontrar trabalho fortalece crenças negativas e gera sensação de impotência e desesperança que resultam em hábitos nocivos como isolamento, depressão e distúrbios alimentares, que somados ao stress do momento, podem culminar em problemas de saúde.

Portanto, durante o período de desemprego é fundamental traçar não apenas um plano de recolocação profissional, mas também de cuidados com a saúde, considerando o seu plano alimentar e atividades físicas diárias. Além disto, é importante cuidar dos seus relacionamentos, equilíbrio emocional e uso do tempo, que são fatores fundamentais para manutenção da boa saúde mental e do bem-estar.

As pessoas têm a necessidade de estruturar o uso do tempo, de expandir seu horizonte social, de participar de empreendimentos coletivos, de saber que possuem um lugar na sociedade e de serem ativas. _ Marie Ahoda

Entre as principais dicas para gerir este momento de desemprego estão:

  • Estruturação do Tempo: Certifique-se de estar usando o tempo de modo produtivo e equilibrado. Monte uma agenda diária, planeje seu mês, semana e dia incluindo atividades de busca de recolocação, relacionamento, interação social e etc;

  • Atividade Regular: A inação desestimula e desmotiva, afetando a autoestima, autoconfiança e bem-estar. Por este motivo é importante elaborar planos de atividades físicas, hobbies, esportes, estudos, atividades em família, ações comunitárias e sociais, além da busca de emprego;

  • Identidade Social: O trabalho é visto como uma das principais fontes de reconhecimento e identidade perante a sociedade. É preciso identificar aspectos mais profundos de sua identidade, entendendo que não é apenas seu emprego que faz de você um indivíduo. É importante compreender quais são os seus outros papeis sociais;

  • Bons relacionamentos: São importantíssimos para a felicidade e bem-estar do indivíduo, portanto, reserve tempo para estar com os amigos e familiares;

  • Esforço coletivo: As pessoas se sentem parte de algo maior quando somam esforços movidos por uma visão compartilhada. Verifique como envolver a família e os amigos neste processo de recolocação profissional;

  • Finanças: Mais do que nunca, este será um importante momento de gestão e planejamento financeiro, para garantir seu sustento durante o período de desemprego.

E lembre-se, você contar com a ajuda de um career coaching e outros especialistas neste processo de recolocação profissional, tornando a busca por emprego mais assertiva e a manutenção do equilíbrio, saúde e bem-estar mais funcional.


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